quinta-feira, 14 de maio de 2015

Amigos




Amigos 



Escolho os meus amigos não pela pele nem outro arquétipo qualquer, mas pela pupila. 
Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante. 
A mim não interessam os bons de espírito ou os maus de hábitos. 
Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo. 
Deles não quero resposta, quero o meu avesso. 
Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim. 
Para isso, só sendo louco. 
Escolho meus amigos pela cara lavada e pela alma exposta. 
Não quero só ombro ou colo, quero também sua maior alegria. 
Amigo que não ri junto não sabe sofrer junto. 
Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. 
Não quero risos previsíveis nem choros piedosos. 
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, 

mas lutam para que a fantasia não desapareça. 
Não quero amigos adultos nem chatos. 
Quero-os metade infância e a outra metade velhice. 
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto 

e velhos para que nunca tenham pressa.
Tenho amigos para saber quem eu sou. 
Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, 

crianças e velhos, nunca me esquecerei. 
Que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril. 

Texto: Oscar Wilde



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2 comentários:

  1. Muito bom o texto, sou fã do Oscar Wide, por falar nisso, tenho o filme com a biografia dele! - "Que a normalidade jamais passe perto da gente, que eu continue uma porra louca como muitos dizem, mas acima de tudo que eu continue sabendo ser um amigo, doido, mas amigo". :)

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